Os mecanismos de controle de investimentos têm aumentado no mundo, destacou um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).
A expansão dos mecanismos de controle de investimentos, dos controles sobre investimentos no exterior e de outras medidas relacionadas à segurança reflete uma preocupação renovada em proteger ativos críticos. Além disso, reflete a intenção de limitar a fuga de tecnologia.
Mecanismo de controle de investimentos
Para as empresas que operam internacionalmente, especialmente em setores estratégicos, essas mudanças se traduzem em maiores pressões sobre a localização geográfica e a estrutura de suas operações.

As políticas industriais e as medidas de segurança econômica estão transformando as decisões de investimento. Incentivos, subsídios, controles, exceções de segurança nacional nos acordos de investimento, controles de saída e outras medidas relacionadas à segurança estão direcionando o investimento para setores prioritários. Ao mesmo tempo, limitam as transações consideradas estrategicamente sensíveis.
Segurança nacional
O significado de “estratégico” não é uniforme em todos os países. Para as principais economias avançadas, os setores estratégicos costumam ser definidos sob a perspectiva da liderança tecnológica, da segurança nacional e do controle de capacidades de ponta. Esses setores incluem semicondutores, IA, tecnologias quânticas, manufatura avançada e tecnologias de dupla utilização.
Por outro lado, para muitas economias em desenvolvimento, os setores de maior importância estratégica podem ser aqueles que sustentam a segurança dos recursos, a resiliência e as necessidades básicas de desenvolvimento. Esses setores incluem os sistemas alimentares, a agroindústria, a infraestrutura hídrica, o acesso à energia, a produção relacionada à saúde, a logística e a infraestrutura resiliente às mudanças climáticas.
As recentes perturbações comerciais, as tensões geopolíticas e a fragmentação geoeconômica reforçaram a importância estratégica desses setores. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas aumentam sua vulnerabilidade e elevam o custo da falta de investimento.
Tecnologias críticas
O panorama global da produção internacional está passando por uma profunda transformação. A economia mundial é influenciada pela crescente competição entre as grandes potências, pelas tensões geopolíticas cada vez maiores e pela incerteza em matéria de política comercial.
Como resultado, o ambiente em que as empresas planejam, executam e gerenciam seus investimentos transfronteiriços tornou-se mais incerto. Além disso, ficou mais fragmentado e mais sensível às realidades geopolíticas.
Os formuladores de políticas estão dando cada vez mais ênfase à segurança econômica. O controle de infraestruturas vitais, o acesso a tecnologias críticas e o posicionamento em setores que, segundo as previsões, impulsionarão o crescimento econômico futuro tornaram-se considerações centrais. Assim, são essenciais na elaboração de políticas de investimento.
Os governos estão empregando uma ampla gama de instrumentos de política industrial para direcionar o investimento para setores considerados estratégicos. Para isso, combinam incentivos e programas de apoio com novas formas de regulamentação e restrição.
Regionalização estratégica
Para as empresas que realizam comércio internacional ou IED, o novo panorama regulatório exige uma análise geoestratégica mais apurada. O investimento não é mais definido apenas por custos, mas pelo acesso a tecnologias críticas, segurança nacional e exposição a restrições.
Consequentemente, as empresas deverão ajustar suas áreas de atuação, cadeias de suprimentos e estruturas corporativas com maior seletividade. Aquelas que operam em setores estratégicos precisarão antecipar controles, incentivos e limites a transações sensíveis. Isso é necessário para preservar a competitividade, reduzir o risco regulatório e sustentar a expansão internacional.