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Comce a Sheinbaum: tornar transparente a relação México-China 

O Conselho Empresarial Mexicano para o Comércio Exterior, o Investimento e a Tecnologia (Comce) propôs a Claudia Sheinbaum, a virtual vencedora da Presidência do México, tornar transparente a relação México-China.

O Comce propôs igualmente que se promova uma estratégia para reforçar a relação entre o México e a América do Norte através do Tratado entre o México, os Estados Unidos e o Canadá (T-MEC), a fim de impulsionar o desenvolvimento regional conjunto, tendo em conta a tendência crescente das políticas proteccionistas no mundo.

Comce

Ambas as propostas do Comce fazem parte de um documento que contém 24 recomendações para o próximo mandato de seis anos: “24 para 2024: ideias e propostas para os mexicanos aproveitarem os pontos fortes do México como líder global”.

As 24 recomendações são as seguintes:

Integração das cadeias de valor

Promover uma estratégia para reforçar a relação entre o México e a América do Norte através do T-MEC, a fim de impulsionar o desenvolvimento regional conjunto, face à tendência crescente de políticas proteccionistas no mundo.

Reforçar a coordenação com os Estados Unidos e o Canadá, não só a nível do sector público, mas também do sector privado e do meio académico, a fim de ampliar a integração das cadeias de valor produtivas. 

Manter a participação ativa de organizações privadas, como o Comce, no papel de consultores nas negociações comerciais internacionais (Quarta Câmara). 

Criar uma estratégia global centrada na liberalização do comércio e na oposição a políticas proteccionistas, uma vez que tal facilita a disponibilidade de factores de produção de qualidade a preços competitivos, bem como de produtos e serviços para os consumidores nacionais. 

Incentivar a diversificação dos mercados, uma vez que é essencial expandir as redes de comércio internacional com diferentes regiões do mundo e abrir novos mercados para os nossos produtos.

Procedimentos aduaneiros

Retomar as negociações comerciais bilaterais com a Coreia do Sul, na Ásia; o Brasil, a Argentina e o Equador, na América Latina; e o Reino Unido, na Europa; bem como acelerar a assinatura do Acordo Global Modernizado com a União Europeia.

Tornar as relações entre o México e a China transparentes, a fim de assegurar que constituem uma fonte de oportunidades para o país. 

Simplificar os procedimentos aduaneiros, uma vez que é necessário dispor de um quadro regulamentar eficaz que reduza a burocracia e racionalize os processos aduaneiros para facilitar o comércio externo. 

Promover o uso de ferramentas digitais para melhorar os processos de importação e exportação, como a tecnologia blockchain, que oferece maior segurança e privacidade, permitindo operações mais ágeis. 

Investimentos 

Apoiar as pequenas e médias empresas para que tenham acesso aos mercados internacionais e possam competir com êxito.

Assegurar o acesso das empresas a uma energia suficiente, competitiva e limpa. 

Criar uma estratégia global, enquanto país, para atrair investimentos para o México, nomeadamente no âmbito do nearshoring. O México encontra-se num contexto excecional para capitalizar este fenómeno e definir o tipo de investimento que pretende atrair. 

Criar uma área de inteligência de investimento a nível do governo federal para atrair projectos de investimento que nos permitam criar valor, progresso tecnológico e sustentabilidade no país, através de ferramentas como a análise de big data. Ou seja, atrair proativamente investimentos para fortalecer nossa cadeia global de valor, o que aumentará nossa atratividade como país no futuro. 

Atrair mais projectos de investigação e desenvolvimento para o país, aproveitando os acordos estabelecidos pelo fenómeno do nearshoring, uma vez que o objetivo é que o México deixe de ser um país produtor e passe a ser um país gerador de inovação. 

Garantir a segurança jurídica e preservar o Estado de direito para gerar confiança junto dos investidores, proporcionando estabilidade para planear as suas operações a longo prazo.

Manter uma política macroeconómica estável e manter a inflação a um nível baixo, uma política fiscal e monetária prudente e um ambiente regulamentar propício ao investimento e ao crescimento. 

Imagem do México

Melhorar as infra-estruturas logísticas, investindo em portos, aeroportos e transportes terrestres, a fim de acelerar e reduzir o custo do transporte de mercadorias e tornar os produtos mexicanos mais competitivos nos mercados internacionais. 

Promover projectos de participação público-privada que possam ser geridos por instituições especializadas no comércio externo e na atração de investimentos. 

A insegurança é um dos maiores desafios para o país, pelo que é necessário garantir a independência e a transparência das suas acções, a fim de combater eficazmente o crime e a corrupção. 

Atribuir a uma única instituição ou secretaria a tarefa de promover o investimento direto estrangeiro, o comércio externo e a imagem do México no mundo como destino de negócios, atribuindo-lhe um orçamento proporcional à sua importância e responsabilidades.

Incentivos fiscais

Trabalhar ativamente com o meio académico para formular programas de estudo e formação (upskilling e reskilling) que acelerem verdadeiramente a articulação e a aplicação do conhecimento no sistema produtivo do país. 

Promover o modelo de ensino dual, de modo a que os estudantes obtenham formação prática diretamente na indústria antes de se formarem, o que facilitará a sua incorporação no ambiente produtivo, bem como o desenvolvimento de talentos para as empresas 

Aproveitar os incentivos e benefícios fiscais que possam existir nos acordos comerciais para promover a transferência de tecnologia. 

Estabelecer alianças entre centros de investigação e universidades de outros países para desenvolver projectos de investigação aplicada que beneficiem as indústrias estabelecidas no México, em particular em segmentos especializados como o campo da Inteligência Artificial (IA).