Os subsídios industriais na China têm afetado vários setores produtivos no México, afirmou nesta quarta-feira o secretário da Economia, Marcelo Ebrard.
Com isso, em parte, Ebrard justificou uma recente medida tarifária da presidente Claudia Sheinbaum. Ela publicou no Diário Oficial da Federação (DOF) um aumento das tarifas no México para países sem acordos comerciais. Isso inclui a China. Essas tarifas entraram em vigor desde o último dia 1º de janeiro.
Essa publicação foi o último passo para colocar em vigor a aprovação do Congresso do México de aumentar as tarifas em 1.463 posições tarifárias em até 50%, o mesmo valor proposto por Sheinbaum, embora os legisladores tenham eliminado 123 e incluído 123.
Subsídios industriais na China
As categorias de produtos especificamente afetadas incluem automóveis e peças, têxteis, vestuário, plásticos, aço, eletrodomésticos, alumínio, brinquedos, móveis, calçados, artigos de couro, papel e papelão, motocicletas e vidro.
“Então, impusemos tarifas porque consideramos que estão buscando ampliar o mercado com a ajuda do governo deles. O mesmo vale para os veículos. São preços abaixo do custo de estoque”, disse Ebrard na 82ª Assembleia Anual da CAINTRA.
As tarifas mexicanas afetam as importações de produtos originários de países sem acordos comerciais, como China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia e Brasil.
“O México alterou uma série de tarifas porque consideramos que existem condições desfavoráveis para a nossa indústria. Evidentemente, isso se aplica aos têxteis, ao calçado e ao aço. Pois o aço chinês está custando, de qualquer forma, 150 dólares ao México.
“E, após realizar todos os testes possíveis e imagináveis com a indústria estabelecida aqui em Monterrey, chegamos à conclusão de que (os chineses) não estão pagando os mesmos impostos ou recebem um subsídio de garantia muito alto. Ou seja, os custos podem variar bastante”, acrescentou Ebrard.
Tarifas e acordos comerciais
Como resultado, o Congresso do México impôs tarifas que variam de 5% a 50%. A medida afeta importações no valor de 52 bilhões de dólares, segundo cálculos da Secretaria da Economia. Ou seja, 8,6% do total das compras do exterior.
Com as mudanças, a alfândega mexicana aumentará a tarifa de 20% para 50% sobre as importações de automóveis originários de países com os quais o México não tem acordos comerciais.
O Congresso do México fez o principal ajuste tarifário no setor de peças automotivas em comparação com a iniciativa de aumento de tarifas apresentada pela presidente Sheinbaum.
Na proposta original, foi proposto um aumento em 141 classificações de peças automotivas; mas o Congresso da União eliminou 71 delas e incluiu 4, de modo que, em termos líquidos, a quantidade de produtos foi reduzida quase pela metade, para 74.