O secretário da Economia, Marcelo Ebrard, pediu aos Estados Unidos que concedam um tratamento mais favorável ao México na investigação em andamento sobre as tarifas da Seção 301 relacionadas ao “excesso de capacidade”, oferecendo um quid pro quo nas negociações do T-MEC.
Essa oferta representa uma continuação das táticas de negociação de ambos os países: os Estados Unidos obtêm a eliminação de barreiras não tarifárias ou a resolução de questões comerciais espinhosas e, em troca, o México recebe um tratamento um pouco mais favorável na política tarifária do presidente Donald Trump.
Quid pro quo nas negociações do T-MEC
O México e os Estados Unidos concordaram em realizar a quarta rodada de negociações bilaterais sobre o T-MEC nos Estados Unidos no início de setembro próximo, para avançar na revisão do T-MEC.

“A próxima rodada de conversas com os Estados Unidos será na primeira semana de setembro, o que nos permitirá ter clareza sobre qual é a correlação entre o México e os demais países. Pois o que queremos alcançar é que a posição do México seja sempre preferencial em relação a qualquer outro país”, disse Ebrard.
Na última sexta-feira, os Estados Unidos impuseram tarifas entre 10% e 12,5% a 60 economias. O México foi incluído com uma alíquota de 10%. Essas medidas visam combater o trabalho forçado.
Além disso, as novas tarifas substituem a tarifa global temporária de 10% estabelecida por Donald Trump. Essa tarifa expirou na madrugada desta mesma sexta-feira.
Vale destacar que Trump havia fixado essa tarifa de forma temporária em fevereiro. Isso ocorreu depois que a Suprema Corte anulou a maior parte de suas tarifas globais.
No entanto, o México ficou excluído da nova tarifa de 10%. Essa exceção se aplica apenas a produtos que cumpram as regras do T-MEC.
Excesso de capacidade
Por outro lado, os Estados Unidos estão conduzindo outra investigação que também inclui o México. O objetivo é determinar se 16 parceiros comerciais apresentam excesso estrutural de capacidade e produção nos setores manufatureiros.
“Por isso, a rodada foi marcada para a primeira semana de setembro, com o objetivo de abordar, concretizar ou fechar muitos acordos com os Estados Unidos. Mas já temos clareza sobre o panorama dos demais países. Lembre-se de que, na Seção 301, a primeira parte envolveu 60 países, e a segunda parte, 16 países”, acrescentou Ebrard em uma coletiva de imprensa na Cidade do México.
Perspectivas do T-MEC
O T-MEC entrou em vigor em 1º de julho de 2020. Sua vigência inicial é de 16 anos, até 2036. Além disso, ele é revisado a cada seis anos.
No entanto, se não houver consenso na revisão, o tratado continua em vigor. Contudo, ele expirará automaticamente em 2036 se não for renovado.
Por outro lado, se as três partes concordarem em prorrogá-lo, ele permanecerá em vigor por mais 16 anos. Por outro lado, se alguma das partes não confirmar sua intenção de prorrogar o acordo, será realizada uma revisão conjunta anual durante a década restante.