A Câmara de Comércio dos Estados Unidos (USCC) afirmou que os produtores norte-americanos de etanol estão em desvantagem em relação ao Brasil e solicitou que o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) tome medidas a esse respeito.
No comércio bilateral de 2025, os Estados Unidos importaram etanol do Brasil no valor de 145 milhões de dólares, enquanto suas exportações desse produto para o mercado brasileiro totalizaram 97 milhões de dólares.
Produtores norte-americanos de etanol
Antes de fevereiro de 2023, o etanol norte-americano entrava no Brasil isento de tarifas, por meio de um programa de contingentes tarifários. Posteriormente, o Brasil impôs uma tarifa de 16%, que subiu para 18% em 2024, em comparação com a tarifa de 2,5% que os Estados Unidos aplicavam ao etanol brasileiro antes de agosto de 2025.

De acordo com a USCC, as barreiras não tarifárias agravam esse desequilíbrio. Embora os produtores brasileiros se beneficiem do acesso à Norma de Combustíveis Renováveis (RFS) dos Estados Unidos e à Norma de Combustíveis de Baixo Carbono da Califórnia, os produtores norte-americanos não recebem tratamento equivalente no Brasil.
Os programas brasileiros RenovaBio e RenovaCalc apresentam obstáculos adicionais: os critérios de elegibilidade do RenovaBio não reconhecem a abordagem de “cumprimento agregado” da EPA, o que, na prática, impede que os produtores norte-americanos possam se qualificar para esses programas.
Por sua vez, o modelo de cálculo de carbono do RenovaCalc infla injustamente a pontuação de carbono do etanol de milho norte-americano, impondo uma penalidade de 300% que limita o acesso aos créditos de carbono CBio e prejudica a competitividade dos Estados Unidos.
Comércio mundial
Os Estados Unidos se posicionaram como o maior exportador de etanol do mundo em 2025, com 4.909 milhões de dólares. A Holanda alcançou o segundo lugar, com 1.643 milhões. E o Brasil ocupou o terceiro lugar, ao exportar 934 milhões.
O etanol é utilizado mundialmente como biocombustível veicular para reduzir as emissões. Ele serve como solvente nas indústrias química, cosmética e farmacêutica. Funciona como antisséptico e desinfetante de uso médico. Também é a base das bebidas alcoólicas.
As importações americanas de etanol do Brasil caíram de 270 milhões de dólares em 2022 para 233 milhões em 2023. Em seguida, voltaram a cair, passando de 211 milhões em 2024 para 145 milhões em 2025.
Por outro lado, as exportações dos Estados Unidos para o mercado brasileiro despencaram de 147 milhões de dólares para 1 milhão. Posteriormente, cresceram de 53 milhões para 97 milhões.
Nesse contexto, a USCC defendeu que o USTR deveria instar o Brasil a reformar o RenovaBio e o RenovaCalc, promovendo o reconhecimento mútuo das normas ambientais — incluindo a abordagem de “cumprimento agregado” da EPA, já aceita pelo Canadá — e adotando sistemas transparentes e baseados na ciência para o cálculo de carbono que garantam um tratamento justo aos produtores norte-americanos de etanol.
O efeito conjunto das diferenças tarifárias e das barreiras ao acesso a esses programas não apenas reduz a competitividade dos produtores norte-americanos, mas também desestabiliza os preços e freia a cooperação energética entre as duas principais potências mundiais do etanol.
Diante desse cenário, a USCC instou ambos os governos a colaborarem no desenvolvimento de combustíveis sustentáveis para aviação, uma área de crescente relevância estratégica na qual as empresas dos Estados Unidos possuem vantagens fundamentais a oferecer.