O déficit comercial dos Estados Unidos com o México não ocorre deliberadamente, afirmou a Secretaria da Economia do México, ao divulgar os resultados das mesas de consulta pública para a revisão do Tratado entre o México, os Estados Unidos e o Canadá (T-MEC).
De acordo com dados do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, esse déficit foi de US$ 196,913 bilhões em 2025, o equivalente a um aumento anual de 14,8%.
Déficit comercial dos Estados Unidos com o México
“O déficit comercial dos Estados Unidos com o México não é resultado de um projeto deliberado nem de políticas governamentais mexicanas orientadas a gerá-lo”, argumentou a Secretaria da Economia no documento em que apresentou os resultados.
Do ponto de vista do governo mexicano, o saldo negativo é o reflexo de uma estrutura produtiva profundamente integrada na América do Norte, na qual uma proporção significativa das exportações mexicanas para os Estados Unidos incorpora insumos produzidos nesse país.
Em 2024, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 283 bilhões para o México e importaram cerca de US$ 494 bilhões, o que resultou em um déficit aproximado de US$ 211 bilhões, de acordo com o Observatório de Complexidade Econômica.
O déficit comercial reflete uma relação altamente interdependente entre os Estados Unidos e o México. Nesse esquema, o dinamismo das exportações americanas influencia diretamente a magnitude do saldo comercial. Portanto, a evolução do déficit está ligada ao próprio crescimento do comércio bilateral.
Essa dinâmica contrasta com a relação comercial que os Estados Unidos mantêm com economias como a China ou o Vietnã. Nesses casos, os déficits podem aumentar de forma mais desproporcional, uma vez que não dependem de cadeias produtivas compartilhadas nem de um volume comparável de exportações americanas.
Integração regional
Nesse contexto, alguns argumentos recentes têm sugerido que o México funcionaria como uma via indireta de acesso — ou “backdoor” — para as exportações de países terceiros para o mercado dos Estados Unidos. No entanto, as evidências recentes não corroboram essa interpretação.
Embora as exportações mexicanas para os Estados Unidos tenham crescido em alguns setores, particularmente em eletrônicos, os maiores aumentos recentes para esse mercado vêm de economias asiáticas como Taiwan, Vietnã, Indonésia ou Índia.
Em vários desses casos, o crescimento é maior em comparação com o México. Na verdade, algumas medidas tarifárias frearam a expansão de certas exportações manufatureiras mexicanas — incluindo as automotivas —, ao mesmo tempo em que coincidiram com um aumento de componentes eletrônicos e autopeças provenientes da Ásia.
Além disso, uma característica distintiva dessa integração comercial é o elevado conteúdo regional. Cerca de 40% do valor das exportações mexicanas para os Estados Unidos incorpora conteúdo norte-americano, reflexo de cadeias de valor nas quais insumos, processos e montagem cruzam a fronteira em múltiplas ocasiões.