Três entidades empresariais do México, o CCE, o Index e a Concamin, solicitaram ao USTR que não aplique tarifas ao abrigo da Seção 301 aos produtos mexicanos. Esse pedido foi feito em resposta a uma nova investigação em andamento.
Essas entidades alertaram que mais impostos de importação decorrentes da Seção 301 afetariam também os Estados Unidos.
CCE, Index e Concamin
Do ponto de vista dessas representações empresariais, a investigação sob a Seção 301 elevaria os custos e frearia o investimento. Como resultado, os benefícios do T-MEC seriam enfraquecidos. Argumentaram que o México deve ficar isento, uma vez que não aplica políticas de sobrecapacidade. Além disso, destacaram a alta integração manufatureira bilateral e seu impacto no emprego e nas cadeias de suprimentos.
A relação econômica do México com os Estados Unidos evoluiu da troca de produtos finais para um modelo de coprodução regional. Esse modelo melhorou significativamente a competitividade da América do Norte.
Uma parcela substancial das importações mexicanas dos Estados Unidos (62%) e das importações americanas do México (59%) consiste em insumos industriais que são posteriormente processados para produzir componentes ou bens finais.
Além disso, 25% do comércio bilateral entre os Estados Unidos e o México é realizado entre partes relacionadas que participam de processos de manufatura transfronteiriços.
Esses pontos foram expostos em uma carta enviada a Jamieson Greer, titular do USTR. Nessa carta, as entidades empresariais apontaram incertezas para os exportadores, os investimentos e a logística.
Excesso de capacidade estrutural
O CCE, o Index e a Concamin argumentaram que o governo mexicano não intervém para reduzir a demanda interna. Tampouco intervém para desvincular as decisões empresariais dos incentivos do mercado.
Levando em conta todos os fatores da investigação sobre a Seção 301, essas entidades empresariais consideraram que não existem políticas destinadas a gerar um excesso de capacidade estrutural.
Por exemplo, o CCE, o Index e a Concamin argumentaram que as empresas estatais mexicanas não subsidiam seus produtos para aumentar a competitividade das empresas privadas nacionais. Em outros países, isso ocorre às vezes.
“O México tem uma balança comercial quase equilibrada. Se o governo mexicano tivesse implementado políticas deliberadas para reduzir o consumo ou aumentar o superávit de forma permanente, o México apresentaria um superávit comercial significativo”, argumentaram as três representações do setor privado.
Como é de se esperar em qualquer economia aberta com tarifas relativamente baixas, o México apresenta superávits comerciais com alguns países e déficits com outros. Isso ocorre em função de sua vantagem comparativa em diferentes setores.