As importações da China provenientes do mundo caíram 0,3% em relação ao ano anterior em 2025, para US$ 2,58 trilhões, após terem atingido um máximo histórico de US$ 2,71 trilhões em 2022. O recuo confirma a perda de dinamismo do maior importador asiático e limita seu papel como motor do crescimento global e do comércio exterior.
Os dados refletem uma trajetória volátil durante a década de 2020. A desaceleração afeta as cadeias de abastecimento, os fluxos de investimento estrangeiro direto e as estratégias de nearshoring. Para exportadores e diretores de comércio exterior, a questão central é clara: a China pode reequilibrar seu modelo para um maior consumo interno?
Reconfiguração do comércio exterior e tensões geopolíticas
Em sua Estratégia de Segurança Nacional 2025, a Casa Branca reiterou que a diplomacia do “America First” busca reequilibrar as relações comerciais. O documento afirma que o déficit em conta corrente dos Estados Unidos é insustentável e que os aliados estratégicos devem ajustar suas políticas comerciais diante do excesso de capacidade chinesa.
Este ambiente condiciona as importações da China provenientes do mundo e aumenta a incerteza regulatória.
“Devemos incentivar a Europa, o Japão, a Coreia, a Austrália, o Canadá, o México e outras nações proeminentes a adotarem políticas comerciais que ajudem a reequilibrar a economia chinesa em direção ao consumo interno, uma vez que o Sudeste Asiático, a América Latina e o Oriente Médio não podem absorver sozinhos o enorme excesso de capacidade da China”, afirma a Casa Branca.
O governo americano acrescenta que as nações exportadoras da Europa e da Ásia também podem considerar os países de renda média como um mercado limitado, mas em crescimento, para suas exportações.
Setores com maior contração
Os combustíveis e óleos minerais totalizaram US$ 442,947 milhões, com uma queda de 12,01%. O setor automotivo (incluindo outros veículos do Capítulo 87) caiu 33,44%, para US$ 41,448 milhões. Da mesma forma, as compras dos Estados Unidos caíram 14,52%, enquanto as da Malásia recuaram 20,51%.
Esses números revelam ajustes setoriais relevantes. O enfraquecimento da demanda industrial e energética pressiona os exportadores globais. Além disso, reconfigura as expectativas de crescimento para economias dependentes de matérias-primas e manufaturas intermediárias.
Tecnologia e maquinário mostram resiliência
Em contrapartida, as máquinas elétricas somaram US$ 626,969 milhões, com um avanço de 7,17%. Os reatores e máquinas mecânicas cresceram 9,47%, até US$ 251,242 milhões. As remessas de Taipei Chinês aumentaram 5,95% e as da República da Coreia 2,98%.
O comportamento confirma que a demanda tecnológica mantém um dinamismo relativo. Componentes eletrônicos e bens de capital estratégicos sustentam parte das importações da China provenientes do mundo, em linha com a modernização industrial e a transição para uma manufatura de maior valor agregado.
Implicações estratégicas para exportadores e investidores
A estagnação das importações da China provenientes do mundo reduz o impulso externo para a América Latina, o Sudeste Asiático e as economias exportadoras europeias. Para empresas com exposição a esse mercado, a diversificação geográfica e o fortalecimento de tratados comerciais tornam-se prioritários.
Em termos de política comercial, o ajuste abre espaço para que as economias integradas à América do Norte capturem investimento estrangeiro direto sob esquemas de nearshoring. No entanto, a volatilidade regulatória e as tensões geopolíticas continuarão influenciando a tomada de decisões estratégicas.