Os Estados Unidos mantiveram-se na liderança do ranking das principais economias do mundo em IED em 2025, com 270.000 milhões de dólares, informou nesta terça-feira a UNCTAD.
Em seguida, vieram Cingapura, Hong Kong, China, Brasil, Reino Unido, Alemanha, Canadá, Emirados Árabes Unidos e México.
Principais economias do mundo em IED
Os Estados Unidos lideraram a captação global com 277 bilhões de dólares, impulsionados por megaprojetos na área de manufatura estratégica e infraestrutura digital. Sua hegemonia reside em políticas industriais ativas que direcionam o investimento em tecnologias de ponta para garantir sua segurança econômica.

No cenário asiático, Cingapura consolidou-se na segunda posição com 151 bilhões de dólares, reafirmando seu papel como sede corporativa regional. Seu valor agregado reside em oferecer um centro financeiro e logístico estável, vital para os fluxos de capital transfronteiriços.
Manufatura avançada
Por sua vez, Hong Kong (China) atraiu 116 bilhões de dólares, mantendo seu status como porta de entrada financeira para o Leste Asiático. Estrategicamente, continua sendo o centro de gestão de capitais preferido pelas multinacionais para se conectarem aos mercados regionais.
Em contrapartida, a China recebeu 105 bilhões de dólares, refletindo uma transição deliberada da quantidade para a qualidade. Seus fluxos agora se concentram estrategicamente em setores de alto valor, como pesquisa científica e manufatura avançada.
Na América Latina, o Brasil se destacou com 77 bilhões de dólares, impulsionado pelo boom das energias renováveis e dos recursos naturais. O país se posiciona como um destino-chave para grandes projetos de infraestrutura digital no hemisfério sul.
Enquanto isso, o Reino Unido subiu na classificação com 75 bilhões de dólares, graças a uma intensa atividade em fusões e aquisições. Seu mercado atua como um ímã estratégico que combina um grande consumo interno com um centro financeiro global.
Minerais críticos
Seguindo essa tendência, a Alemanha registrou um aumento substancial de 74 bilhões de dólares por meio de aquisições industriais em grande escala. Sua renovada atratividade ressalta a confiança dos investidores na competitividade de seu ecossistema de manufatura avançada.
No lado norte-americano, o Canadá manteve fluxos estáveis de 67 bilhões de dólares direcionados à energia e aos minerais críticos. Estrategicamente, o país se consolida como um elo essencial e seguro nas cadeias de suprimentos integradas da América do Norte.
Por outro lado, os Emirados Árabes Unidos atraíram 48 bilhões de dólares por meio de sua ambiciosa estratégia de diversificação energética. O país se posiciona como um corredor logístico e tecnológico fundamental que une os mercados da Ásia, Europa e África.
Por fim, o México fechou o top 10 com 41 bilhões de dólares, aproveitando a reconfiguração das cadeias de suprimentos por meio do nearshoring. Sua integração estratégica nas redes produtivas norte-americanas garante um crescimento sustentado nos setores de serviços e manufatura para exportação.
Semicondutores e inteligência artificial
De acordo com a UNCTAD, o capital global concentra-se atualmente em setores estratégicos como semicondutores e inteligência artificial. Esses fluxos não buscam mais apenas eficiência, mas também segurança econômica e liderança tecnológica. A competição entre potências redefine os investimentos por meio de subsídios maciços e controles estratégicos.
A reconfiguração das cadeias de suprimentos segue linhas geopolíticas e regionais, priorizando a resiliência em detrimento do custo. Enquanto as economias avançadas atraem megaprojetos, os países pobres ficam marginalizados. Essa fragmentação enfraquece a cooperação internacional e ameaça um desenvolvimento global equitativo.