A prosperidade no México foi travada pela armadilha do nível médio, o que se refletiu em uma recente classificação do IMD de 34 economias da América Latina e do Caribe.
O ranking é dividido em quatro pilares: Desafios Econômicos, Governança e Instituições, Dinâmica Gerencial e Empoderamento Social. Para isso, utiliza 78 indicadores. Os países são classificados em oito níveis, de A1 (mais alto) a D2 (mais baixo).
Prosperidade no México
À medida que as cadeias de abastecimento globais se reconfiguram devido a tensões geopolíticas e às tarifas dos Estados Unidos, a América Latina poderia se beneficiar de novas oportunidades industriais. No entanto, sem uma maior capacidade de gestão empresarial, a região corre o risco de perder essa janela de oportunidade.
“Se a China acabar transferindo cadeias de produção para a América Latina a fim de mitigar o impacto das tarifas americanas, as oportunidades industriais serão reais e significativas. Mas, sem as condições adequadas, a região corre o risco de desperdiçar completamente esse momento”, afirma José Caballero, autor principal do relatório e economista-chefe do IMD World Competitiveness Center.
A armadilha do nível médio
Segundo Caballero, a constatação mais incômoda do relatório não diz respeito aos países que estão mal. Diz respeito àqueles que estão mais ou menos bem e que se mantêm assim há anos. A maioria das economias da região não está em crise nem em expansão. Elas se encontram em um nível intermediário de prosperidade que parece cada vez menos transitório e cada vez mais permanente.
“As economias avançam em uma área e retrocedem em outra. Reformam uma coisa e negligenciam a seguinte. O resultado é uma região que se move, mas não avança”, diz Caballero.
Três padrões estruturais explicam o porquê, na perspectiva de Caballero.
Primeiro, a governança importa, mas apenas até certo ponto. Os países com instituições sólidas claramente superam aqueles que não as possuem. Mas, uma vez que se ultrapassa um limiar básico, a governança deixa de ser o fator diferenciador. Vários países com marcos institucionais relativamente respeitáveis continuam presos em níveis médios de prosperidade. As regras do jogo são necessárias. Não são suficientes.
Em segundo lugar, e isso é o mais relevante no momento atual, a capacidade gerencial é o gargalo que ninguém quer mencionar. Enquanto o mundo busca na América Latina um parceiro produtivo e confiável, o que frequentemente encontra são sistemas financeiros pouco desenvolvidos, baixa inovação, escasso dinamismo empresarial e produtividade estagnada. A capacidade gerencial que a oportunidade atual exige não se constrói em resposta a uma conjuntura. E os dados sugerem que, em grande parte da região, ainda há um longo caminho a percorrer.
Em terceiro lugar, o progresso social continua aquém. A desigualdade socioeconômica, as lacunas digitais e o acesso desigual às oportunidades persistem, mesmo entre os países mais bem posicionados. Uma região que não distribui os frutos de seu crescimento não pode construir o capital humano que a prosperidade sustentável exige.