17 de Fevereiro de 2026

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A ATA propõe manifesto de exportação no México ao USTR

16 febrero, 2026
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ATA proposes export manifest in Mexico to USTR
Photo: Pixabay.

A Associação Americana de Caminhões (ATA) propôs estabelecer um manifesto de exportação no México ao Representante Comercial da Casa Branca (USTR).

O comércio transportado por caminhão depende em grande parte da indústria mexicana de autotransporte, em particular das empresas de drayage e seus operadores, para cruzar mercadorias em ambos os sentidos da fronteira. Sem esses serviços, o fluxo transfronteiriço seria interrompido.

Isso ocorre porque, em geral, os motoristas americanos não desejam entrar no México. Por isso, na maioria dos casos, um operador mexicano atravessa a fronteira para os Estados Unidos com um reboque carregado e o transporta para um terminal localizado na zona fronteiriça.

Posteriormente, esse mesmo motorista deixa o reboque no terminal da empresa americana e recolhe outra carga ou um reboque vazio para retornar ao México. Assim, as frotas mexicanas sustentam a continuidade operacional do transporte terrestre binacional.

Manifesto de exportação

A ATA propôs a adoção de um manifesto de exportação em uma carta dirigida ao USTR, no âmbito da revisão do T-MEC. A proposta visa fortalecer o controle nas operações transfronteiriças.

Um manifesto de exportação é um documento oficial que registra informações detalhadas sobre as mercadorias que saem de um país. Ele inclui dados do exportador, transportador, destino e carga. Além disso, permite que as autoridades alfandegárias controlem, verifiquem e rastreiem operações comerciais internacionais.

No entanto, em alguns casos, ao chegar ao terminal, o motorista mexicano recebe a instrução de estacionar seu caminhão e usar uma unidade americana para transportar a carga ponto a ponto dentro dos Estados Unidos. Esses operadores geralmente têm visto B-1, que não autoriza o transporte doméstico.

Uma vez que a mercadoria é descarregada em território americano, especialmente fora da faixa fronteiriça, ela é considerada carga nacional. Essa prática, conhecida como cabotagem, implica que empresas americanas contratem motoristas estrangeiros sem autorização de trabalho para realizar transporte interno e, às vezes, várias viagens antes de seu retorno ao México.

Motoristas mexicanos

As leis de cabotagem visam proteger os motoristas e as empresas que cumprem a regulamentação contra a concorrência desleal. No entanto, alguns transportadores empregam operadores com visto B-1 para pagar salários mais baixos e evitar benefícios e impostos, o que constitui uma violação direta da lei.

Essa prática não é uma infração administrativa menor.

Pelo contrário, pressiona os salários, reduz as oportunidades para os motoristas americanos e gera vantagens competitivas ilegais. Consequentemente, distorce o mercado e afeta as empresas que cumprem as regras em vigor.

O problema tem uma dimensão relevante. Em 2019, processos judiciais em Nogales revelaram que empresas obtiveram US$ 2,4 milhões e US$ 1,3 milhão com a contratação de motoristas não autorizados, antes de serem fechadas.

Embora não existam números completos, ações da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) indicam que a prática se espalhou. Além disso, seu programa Customs Trade Partnership Against Terrorism (CTPAT) alertou que o descumprimento das normas de cabotagem pode colocar em risco a certificação.

CBP

Embora o problema não esteja diretamente relacionado ao T-MEC, motoristas mexicanos cruzam a fronteira com cargas protegidas por esse acordo. Os serviços de drayage são essenciais para o comércio transfronteiriço; no entanto, a ATA solicita o reforço da aplicação da lei contra o cabotagem.

Em setembro, a ATA enviou uma carta ao Departamento de Segurança Interna (DHS), liderado por Kristi Noem, para solicitar maior supervisão. Além disso, propôs dialogar com o USTR sobre possíveis soluções dentro do T-MEC.

Uma das propostas, que a CBP já está avaliando, é implementar um manifesto de exportação. Atualmente, não existe um mecanismo eficaz para rastrear a saída de motoristas mexicanos. Com um registro de saída, seria possível identificar padrões de permanência prolongada e possíveis casos de transporte doméstico ilegal com visto B-1.

Por exemplo, se um operador entra para entregar carga em Laredo, Texas, e permanece três semanas, poderia se inferir uma atividade indevida. Sem dados de saída, apenas se gera suspeita, mas não evidência conclusiva.

Cabotagem

Consequentemente, a implementação de um manifesto de exportação, um sistema de controle de saída ou um maior intercâmbio de informações com as autoridades mexicanas sobre o retorno dos motoristas poderia reduzir significativamente essa prática. Assim, o monitoramento sistemático seria o primeiro passo para coibir a cabotagem ilegal.

Ao mesmo tempo, reconhece-se que numerosas empresas transportadoras do Canadá e do México operam legalmente em envios internacionais de e para os Estados Unidos. Por isso, o objetivo não é dificultar as frotas que cumprem a regulamentação, mas reforçar a vigilância sobre as empresas e os operadores que eludem as regras de cabotagem e as normas de segurança.

 

 

Imagen cortesía de Redacción Opportimes | Opportimes