O secretário da Economia, Marcelo Ebrard, destacou as oportunidades na produção de produtos eletrônicos na América do Norte decorrentes da crescente demanda na região e do interesse do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em substituir uma parte das compras externas desses bens.
No primeiro semestre de 2026, os Estados Unidos importaram produtos eletrônicos no valor de 43.599 milhões de dólares. Isso representa um aumento de 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Departamento de Comércio.
Produção de produtos eletrônicos
Os Estados Unidos apresentam alta dependência desses bens. Por exemplo, grande parte dos componentes da indústria eletrônica utilizados na fabricação de painéis para automóveis nos Estados Unidos é importada da Ásia.
Ao participar da quinta reunião plenária do partido Morena, na Cidade do México, Ebrard expôs que o México importa peças e componentes eletrônicos, não disponíveis na América do Norte, para incorporá-los em produtos acabados que vende aos Estados Unidos.

Algumas dessas exportações mexicanas de produtos finais para o mercado norte-americano apresentam baixo valor agregado, o que aumenta o déficit comercial dos Estados Unidos com o México.
“Você tem um ritmo de crescimento das suas exportações com um governo muito protecionista (o de Trump) que é contra o déficit. Isso porque a própria economia dele está demandando uma quantidade enorme de produtos eletrônicos que são montados no México. Isso acontece já que nós não os produzimos”, disse Ebrard.
Em seguida, acrescentou: “O conteúdo nacional desses produtos sempre foi muito baixo, talvez abaixo de 5%, mas vai aumentando com o passar do tempo”.
As exportações americanas de produtos eletrônicos totalizaram 39.381 milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, ou seja, 10,2% a mais do que no mesmo período de 2025.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos também importaram produtos optoeletrônicos no valor de 10.720 milhões de dólares. Essa importação representa uma queda de 7,8% em relação ao ano anterior. Por outro lado, as exportações americanas desses bens totalizaram 2.955 milhões, um recuo de 14,8%.
Comércio regulado
Ebrard comentou que houve uma transição de um sistema baseado no livre comércio impulsionado pelos Estados Unidos desde a década de 1990. Agora, há um sistema organizado com base em princípios protecionistas. O objetivo é trazer de volta parte da indústria manufatureira para os Estados Unidos. Ele também quer reduzir o déficit do país em relação a outros países do mundo, sobretudo da Ásia.