Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), destacou que o México segue uma política comercial inteligente.
A ABIEC é a entidade setorial que representa os principais frigoríficos e exportadores de carne bovina do Brasil. Ela promove o posicionamento global, a competitividade, a abertura de mercados e a qualidade do setor.
ABIEC
O México produziu 2 milhões e 310 mil toneladas de carne bovina em 2025, enquanto suas importações totalizaram 285 mil toneladas e suas exportações, 315 mil toneladas.

“O México tem uma estratégia comercial muito inteligente. Tem exportado sua carne para os Estados Unidos aproveitando sua isenção de impostos, por assim dizer, e importando carne brasileira para consumo interno”, disse Perosa, em uma coletiva de imprensa no âmbito do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) 2026.
Para 2026, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que o México produzirá 2 milhões e 450 mil toneladas, importará 300 mil e exportará 350 mil.
O SIAVS é realizado a cada dois anos e organizado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Trata-se do principal evento do setor de carne no Brasil.
Exportações brasileiras de carne bovina
O México importou carne bovina brasileira no valor de 496 milhões de dólares em 2025, um aumento de 226% em relação ao ano anterior. No entanto, o fim de uma política temporária de isenção de tarifas e o estabelecimento de um contingente isento de tarifas, com uma alíquota de 20% acima desse contingente, influenciaram a queda anual de 8,5% registrada nas importações mexicanas de carne suína brasileira de janeiro a julho de 2026, para 333 milhões de dólares.
“Quanto ao plano para o México, já há muitas empresas brasileiras do nosso setor que estão investindo lá. Há parcerias entre grandes empresas mexicanas e brasileiras, empresas do setor no México que se associaram a empresas brasileiras para o fornecimento”, indicou Perosa.
Abertura comercial do México
Atualmente, o México aplica um contingente anual isento de tarifa de 70 mil toneladas para carne bovina (fresca, refrigerada ou congelada) proveniente de qualquer país sem tratado comercial. Fora desse limite, é aplicada uma tarifa de 20%. A vigência do contingente vai até o final de 2026.
“O México é um país que nos inspira muito, pois possui acordos comerciais com muito mais países do que o Brasil. Por exemplo, já tem autorização para exportar para o Japão, a Coreia do Sul e a Turquia. Assim, exporta o que produz, que também é carne de qualidade, e acaba importando carne do Brasil para complementar sua demanda nacional”, disse Perosa.