Os Estados Unidos não exigiram a fixação de 50% de conteúdo americano nos automóveis nas regras de origem do Tratado entre o México, os Estados Unidos e o Canadá (T-MEC). Assim afirmou Marcelo Ebrard, secretário da Economia do México.
Em uma coletiva de imprensa na Cidade do México, Ebrard disse nesta quarta-feira que tomou conhecimento de duas propostas americanas publicadas na imprensa. Uma sobre 50% de conteúdo americano em automóveis para que estes se beneficiem das vantagens tarifárias. E outra sobre aumentar de 75% para 82% o conteúdo regional nos automóveis com o mesmo objetivo.
Conteúdo americano nos automóveis
“Li isso em um artigo. Mas não foi oficializado”, respondeu Ebrard a um repórter, afirmando que Jamieson Greer, representante comercial da Casa Branca, não apresentou oficialmente nenhuma dessas propostas.
Há alguns dias, Ebrard reiterou em uma entrevista de rádio que o México não aceitará que se exija um conteúdo norte-americano nos veículos nas regras de origem do T-MEC.
Na mesma coletiva, Ebrard defendeu a integração da indústria automotiva no T-MEC. O secretário da Economia rejeitou qualquer tarifa desfavorável ao México. Ele alertou que as restrições atuais carecem de sentido econômico.
Ebrard enfatizou que a prioridade do México é corrigir as assimetrias na cobrança de tarifas sobre veículos pelos Estados Unidos. Atualmente, a indústria automotiva do México e do Canadá enfrenta uma tarifa de 25%. Ela está sujeita a regras de origem rigorosas e descontos por conteúdo norte-americano. Em contrapartida, as importações provenientes do Japão, da União Europeia ou da Coreia do Sul recebem um tratamento menos restritivo. Nessas condições, há uma tarifa fixa de 15%.
O funcionário explicou que os veículos mexicanos exportados para o mercado norte-americano contêm até 60% de componentes norte-americanos. Ele citou como exemplo a montagem de picapes com motores importados dos Estados Unidos. Na sua opinião, o bloco comercial precisa proteger essa cadeia frente a concorrentes de outros continentes.
Regras de origem automotivas
De acordo com reportagens da imprensa, o governo de Donald Trump retomou a exigência de um requisito de conteúdo norte-americano nas regras de origem automotivas do T-MEC.
Essa proposta segue a linha da apresentada na quarta rodada das negociações originais pelo então representante comercial, Robert Lighthizer. Ele exigia 50% de conteúdo norte-americano antes de desistir, em março de 2018.
Naquele processo, Lighthizer também pressionou por um Valor de Conteúdo Regional (VCR) de 85% e pelo rastreamento total dos componentes. Por fim, a taxa foi acordada em 75% e o rastreamento obrigatório foi descartado.