A extração de terras raras na China concentra aproximadamente 60% da produção mundial desses minerais estratégicos. Além disso, o país asiático processa cerca de 90% das terras raras globais e fabrica cerca de 94% dos ímãs baseados nesses elementos, insumos críticos para indústrias tecnológicas e cadeias de abastecimento avançadas.
Domínio chinês em minerais críticos e política comercial
O controle da China sobre as terras raras responde a uma estratégia industrial de longo prazo ligada à política comercial e ao acesso a minerais críticos. De acordo com uma análise da Câmara dos Representantes, o país desenvolveu durante décadas um plano coordenado para consolidar sua posição na mineração, refino e processamento.
Essa abordagem se baseia na visão geopolítica dos recursos minerais promovida pela liderança de Deng Xiaoping, que em 1992 afirmou: “Há petróleo no Oriente Médio, há terras raras na China”. Desde então, o controle desses recursos foi integrado à estratégia industrial e tecnológica do país.
Regime de controle de exportações
Em 9 de outubro de 2025, o Ministério do Comércio da China estabeleceu um regime global de licenças de exportação para artigos de terras raras. Essa medida faz parte de um sistema mais amplo de controle sobre a cadeia de valor de minerais críticos, impulsionado pelo governo liderado por Xi Jinping.
De acordo com a análise do Congresso dos Estados Unidos, o domínio chinês tem se apoiado em subsídios industriais, distorção de preços, restrições de fornecimento e limitações à concorrência internacional. Essas políticas reforçaram a posição do país na mineração e refino desses recursos estratégicos.
Restrições tecnológicas e controles sobre minerais estratégicos
A política industrial chinesa se intensificou nos últimos anos. Em 2023, o governo proibiu a exportação de tecnologias de processamento e refino de terras raras. Posteriormente, em 2025, anunciou controles sobre a exportação de vários elementos essenciais para as indústrias tecnológicas e energéticas.
Entre eles estão samário (Sm), gadolínio (Gd), térbio (Tb), disprósio (Dy), lutécio (Lu), escândio (Sc) e ítrio (Y), materiais utilizados em ímãs permanentes, eletrônica avançada e tecnologias energéticas.
Produção mundial de terras raras
Em 2025, a maior produção mineira de terras raras foi registrada na China, com 270.000 toneladas de óxido de terras raras equivalente (REO). Em seguida, vieram os Estados Unidos, com 51.000 toneladas provenientes de minas na Califórnia e na Geórgia, a Austrália, com 29.000 toneladas, e Mianmar, com 22.000 toneladas.
Reservas globais de minerais críticos
As maiores reservas estimadas também se concentram na China, com 44 milhões de toneladas. Em segundo lugar está o Brasil, com 21 milhões de toneladas, seguido pela Austrália, com 6,3 milhões, Rússia, com 3,8 milhões, Vietnã, com 3,5 milhões, Estados Unidos, com 1,9 milhão, e Groenlândia, com 1,5 milhão de toneladas.
Dependência de importações e cadeias de abastecimento
No comércio internacional desses minerais estratégicos, os Estados Unidos dependiam, em 2025, de 67% das importações líquidas da maioria das terras raras. Os principais fornecedores eram China, Malásia, Estônia e Japão.
Além disso, o país dependia 100% das importações líquidas de escândio provenientes do Japão e da China e 100% do ítrio importado da China, Alemanha, Áustria e Coreia do Sul.
Esse cenário levanta questões estratégicas para as cadeias de abastecimento globais, em particular sobre a segurança do abastecimento, a diversificação de fornecedores e o impacto da política comercial em minerais críticos.