Os Estados Unidos reduziram em 70% suas importações de computadores chineses em 2025, situando-as em US$ 10,839 bilhões.
O ajuste reconfigura o comércio exterior do setor tecnológico. O México posicionou-se como principal fornecedor, em um ambiente marcado pelo nearshoring, pelo fortalecimento dos hubs asiáticos, por tarifas diferenciadas e pela redefinição das cadeias de abastecimento.
Importações de computadores chineses
A China havia atingido um recorde histórico em 2021, com exportações de computadores para os Estados Unidos no valor de US$ 61,330 bilhões. No entanto, acumulou quatro anos consecutivos de quedas interanuais. Em 2025, caiu para o quinto lugar como fornecedor do mercado americano, refletindo mudanças estruturais na política comercial e na estratégia corporativa.
Em contraste, o México liderou com US$ 89,913 bilhões, seguido por Taiwan (US$ 85,498 bilhões), Vietnã (US$ 33,760 bilhões) e Tailândia (US$ 20,814 bilhões), de acordo com estatísticas do Departamento de Comércio. A classificação inclui máquinas automáticas para processamento de dados, leitores magnéticos e unidades periféricas, entre outros bens.
As importações totais dos Estados Unidos desses bens totalizaram US$ 251,026 bilhões em 2025, um aumento anual de 79%. O crescimento foi resultado da expansão de centros de dados, inteligência artificial e renovação da infraestrutura digital corporativa.
Inteligência artificial e centros de dados impulsionam a demanda
O boom de projetos de inteligência artificial gerou fortes investimentos em servidores e sistemas de alto desempenho. Empresas de tecnologia ampliaram a capacidade de treinamento e inferência. Esse ciclo de investimentos fortaleceu a demanda externa, elevando os fluxos comerciais sob esquemas de integração regional e diversificação produtiva.
Além disso, a antecipação de possíveis tarifas adicionais e controles de exportação incentivou compras antecipadas. A política comercial dos Estados Unidos, combinada com tensões geopolíticas, acelerou as decisões de abastecimento e favoreceu a realocação parcial dos processos de manufatura para a América do Norte.
O México capitaliza o nearshoring e o T-MEC
De acordo com o Banco do México, o nearshoring catalisou a relocalização de linhas de montagem da Ásia para o território mexicano. O Tratado entre o México, os Estados Unidos e o Canadá (T-MEC) proporcionou segurança jurídica, regras de origem claras e vantagens tarifárias em relação aos concorrentes asiáticos.
O México consolidou sua integração em cadeias de abastecimento regionais, com maior conteúdo norte-americano. A proximidade logística, os menores tempos de entrega e a capacidade instalada fortaleceram seu perfil exportador. Esse desempenho também está relacionado a maiores fluxos de investimento estrangeiro direto na fabricação de produtos eletrônicos.
Em dezembro de 2025, os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 0,2% aos computadores originários do México, contra 12,1% para produtos chineses. A diferença tarifária aprofunda a redistribuição do comércio exterior e redefine os incentivos empresariais.
Implicações estratégicas para empresas e autoridades
O deslocamento da China levanta questões executivas: como evoluirão as tarifas? O nearshoring se consolidará como estratégia estrutural? Quais riscos persistem nas cadeias de abastecimento dependentes de componentes asiáticos?
Organismos como a Organização Mundial do Comércio documentam que a fragmentação geoeconômica tende a elevar os custos, mas também a gerar pólos regionais de manufatura avançada.