O processamento de minerais críticos surge como um dos temas centrais na revisão do Tratado entre o México, os Estados Unidos e o Canadá, prevista para julho de 2026.
O governo de Donald Trump busca fortalecer a extração, transformação e manufatura regional para reduzir dependências externas e reforçar as cadeias de abastecimento estratégicas na América do Norte.
Em dezembro de 2025, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, expôs ao Congresso o interesse em criar um Mercado Regional de Minerais Críticos. O objetivo é incentivar a mineração, a reciclagem, a reutilização e a manufatura avançada sob um esquema coordenado de política comercial e integração produtiva.
Integração regional e regras de origem em minerais estratégicos
A revisão do T-MEC abre a porta para ajustes nas regras de origem, particularmente no setor automotivo. A Aliança BlueGreen solicitou o fortalecimento das disposições que incentivam o uso de insumos minerais norte-americanos em veículos e baterias.
Essa abordagem responde à necessidade de reduzir vulnerabilidades. Em 2019, mais de 60% do lítio, cobalto e grafite foram extraídos na Austrália, Congo e China, respectivamente. Da mesma forma, mais de 60% do processamento global de lítio e cobalto concentrou-se na China, gerando riscos geopolíticos e comerciais.
Riscos estruturais na mineração e metalurgia
O processamento de minerais críticos enfrenta limitações técnicas, ambientais e regulatórias. Fatores como cotas de exportação, volatilidade dos preços, requisitos intensivos de capital e padrões ambientais influenciam a viabilidade dos projetos.
Além disso, a concentração geográfica das reservas restringe a diversificação. A China domina a produção de terras raras desde meados da década de 1990, o que condicionou a segurança econômica de várias indústrias, desde semicondutores até energias limpas.
Implicações para o México no comércio exterior e nearshoring
Para o México, o processamento de minerais críticos representa uma oportunidade ligada ao nearshoring e à atração de investimento estrangeiro direto em manufatura avançada, eletromobilidade e energia. No entanto, a revisão do T-MEC incluirá debates sobre conformidade trabalhista, política energética e uso de conteúdo de terceiros em cadeias regionais, entre outros.
As conversações bilaterais começaram em janeiro de 2026 entre Greer e o secretário da Economia, Marcelo Ebrard. Os Estados Unidos antecipam uma negociação firme para resolver questões bilaterais e trilaterais, incluindo tarifas implícitas, padrões regulatórios e fortalecimento das regras de origem.
Segurança econômica e competição global por recursos
Em sua Estratégia de Segurança Nacional 2025, a Casa Branca identificou a África como região prioritária para investimentos em energia e minerais críticos. Essa medida visa garantir o abastecimento diante da concorrência estratégica com a China e diversificar as fontes de suprimento.
Nesse contexto, o processamento de minerais críticos não é apenas uma questão industrial, mas um componente da política comercial e da geoeconomia. As decisões tomadas na revisão de 2026 do T-MEC podem redefinir os fluxos de comércio exterior e a configuração das cadeias de abastecimento na América do Norte.